Desabafo

Em vídeo, coordenador de UTI em Manaus alerta: “A segunda onda é devastadora e cruel”

Médico de UTI em Manaus rebate acusações de falta de tratamento precoce.

O Debate do Maranhão - 15/01/2021 19h29

(crédito: Reprodução/Instagram)

Após colapso na saúde da cidade de Manaus e a falta de oxigênio nos hospitais, o médico Anfremon Neto, coordenador da UTI do Hospital Getúlio Vargas da cidade, decidiu rebater acusações que vem se multiplicando nas redes de que a situação na capital amazonense se agravou por falta de uso de ‘tratamentos precoces’, sem eficácia cientificamente comprovada. O profissional de saúde diz que todas as alternativas estão sendo usadas e acrescenta que o paciente padrão “não é burro” e acaba seguindo recomendações de terceiros, se automedica com as mesmas substâncias incentivadas por alguns integrantes do governo federal, mas que isso não seria suficiente para impedir as atuais condições da Saúde no Amazonas.

“A última coisa dita foi que o que está acontecendo aqui em Manaus é porque a gente não está fazendo tratamento precoce. Sacanagem com a gente, profissional da área de saúde, que estamos ali todos os dias. Vejo pelo menos 50 doentes, e eu sei, todos eles fizeram tratamento precoce. Fizeram o uso de azitromicina, ivermectina, alguns fizeram annita, e vi até os que fizeram com hidroxicloroquina ainda. Tudo o que foi dito alguns pacientes fizeram em casa mesmo sem terem sintomas”, criticou Neto, ressaltando que a automedicação pode trazer preocupações.

O médico apontou que espera que independente do grau de eficácia, espera que a vacina chegue para todos no país o mais rápido possível. Ele ainda deu a opinião sobre a maneira que o governo está lidando com a situação: “Nosso governo, é um governo que eu votei, é um voto declarado, mas nosso governo tem sido negacionista em relação à pandemia e relativiza e banaliza tudo”. E completa: “acho que ao invés do governo ficar tentando dizer que está tudo bem, tem que preparar o país para a segunda onda. Se preparem, porque ela é devastadora e cruel, e ela vai levar muitas vidas. Perdi muitos amigos e estou perdendo colegas de trabalho”, finalizou.

Fonte: Correio Brasiliense com edição do jornalodebate.com.br

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