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por Flávia Bitencourt

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Conflito: você é moderador ou gerador?

Especialista em carreiras dá dicas de como tirar o melhor do pior

O Debate do Maranhão - 21/08/2019 13h44

Os conflitos estão à nossa volta. Em casa, nas redes sociais, na escola, no trabalho, nas posições políticas, mas como conviver com eles e tirar proveito disso? Sendo um mediador e nunca um gerador, aconselha o professor da FGV e da Esic Internacional, Luciano Salamacha.

Salamacha explica que entender a origem das palavras nos ajudar muito a escolher quais delas vamos aplica na vida. A palava conflito vem do latim fligere e quer dizer bater, atacar. O radical con quer dizer junto, por isso, conflito quer dizer bater junto . A palavra aflito também tem a mesma origem, mas o “a”, determina um outro significado e que dizer “bater em si mesmo”. Para Salamacha, que também é consultor de empresas, essas duas palavras são,na verdade, a grande alavanca ou derrocada das carreiras. São elas que determinarão como os problemas surgirão, como serão solucionados e ainda, parte de um processo produtivo. O professor diz que as pessoas aflitas cedem aos conflitos e consequentemente ao estresse. Quem não tem um colega que sofre por antecipação? O problema nem aconteceu e a pessoa já está aflita com as possíveis consequências? Salamacha diz que sofrer por antecipação é um desperdício cruel de tempo.

O professor afirma que a pessoa aflita não se perdoa, normalmente são muito exigentes com elas mesmas e recorre de novo ao latim. “Perdoar quer dizer dar se por completo“ e quem está aflita não se perdoa. Um erro fatal para quem desenvolve uma boa estratégia na carreira.

Salamacha identifica dois tipos de atores numa situação de gestão de conflito:

*A primeira é aquela que está aflita. Normalmente são as que aceitam a provocação. Ela pré julga a si mesma, depois se condena, não age e por não agir não se perdoa por não ter agido. Uma reação em cadeia que só aumenta a aflição.

*A outra é aquela que age, avalia o que fez e a si mesmo, pode até se arrepender da própria atuação, mas se perdoa.

O consultor explica que o perdão é um pilar fundamental para a gestão de conflitos. Quem perdoa está mais preocupado em medir o próprio desempenho de acordo com a consciência. Aquela que não perdoa mede as situações pela régua alheia. Ela age segundo a aprovação externa. Mede o próprio desempenho pelo que os outros dizem e não pelo que acredita. Essa pessoa é presa fácil dos 3 caminhos que potencializam os conflitos:

# Quando tentam colocar vários conflitos num só. Salamacha aconselha, cada caso é um para ser analisado. Problemas são analisados um a um, coletivamente apenas as alegrias e conquistas. O professor afirma que todo bom gestor sabe: comemore coletivamente e repreenda individualmente.

# Quando a outra parte leva o conflito para a pessoalidade. “Você não gosta de mim, é pessoal“. Quando se está aflito a pessoa cai nessa provocação. A dica é segmentar:  O profissional está aqui e o pessoal em outro ambiente. No trabalho podemos não nos gostar como pessoas, mas temos que nos entender como profissionais.

# Quando a desculpa vira arma para aumentar os conflitos. A desculpa como imputação, “Você é culpado“ ou como apego “Eu sou culpado“. A desculpa é, muitas vezes, para afastar da culpa, desviar do problema real. Salamacha sempre orienta que o profissional deva assumir o que faz, e a culpa é uma delas, mas não deve usar a desculpa para empurrar o problema para embaixo do tapete, tão pouco maximizar o conflito e orienta : “Saiba usar a desculpa e passe para a fase seguinte. Não insista o tempo todo na mesma tecla.”

Luciano Salamacha atenta para a distinção do que é conflito e uma discussão sem produtividade. Muitas vezes, do conflito de ideias, da diferenciação de posições pode nascer uma solução a um determinado problema. Tenha inteligência e sensibilidade para separar onde começa um e termina o outro. Não seja ingênuo para cair nas discussões por briga de poder. O conflito faz parte da vida, das relações entre pessoas, mas quando se aprende que o erro é inerente a todos, as relações entre colegas, chefia, fornecedores e claro, nas relações pessoais com a família, com os amigos e a sociedade se tornam mais fortes. O que vai demandar nossas posições nos conflitos e, nos fazer referência diante deles, é o controle da nossa mente para aumentá-los ou minimizá-los e, isso está na capacidade de cada um em querer o lado da leve na vida.

Luciano Salamacha

Luciano Salamacha é doutor em Administração e mestre em Engenharia de Produção. Preside e integra conselhos de administração de empresas brasileiras e multinacionais, Atua como consultor e palestrante internacional. É professor da Fundação Getúlio Vargas em programas de pós-graduação. Recebeu da FGV o prêmio de melhor professor em Estratégia de Empresas nos MBA’s, por sete anos seguidos. É um dos raros professores que fazem parte do “Quadro de Honra de Docentes”, da FGV Management. Também é professor de mestrado e doutorado no Brasil, na Argentina e nos EUA. Salamacha é coordenador de MBA de neurociências na ESIC Internacional, uma das mais importantes escolas de negócios da Europa. Luciano Salamacha é autor de livros e artigos científicos publicados no Brasil e no exterior. Foi pioneiro na América Latina em pesquisas sobre neuroestratégia e neurociência aplicada ao mundo empresarial.

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