CRÔNICA

Coluna Folhas Soltas – por Geraldo Campos

Crônica Nº 01 - Publicada em 15/04/2018, na edição impressa do Jornal O Debate

NADA MAIS PRÓXIMO de perfeição que a sabedoria popular. Em sua ingênua visão de mundo, o povo expõe conceitos que podem ser considerados pétreos. Um deles, muito conhecido, diz que o futuro a Deus pertence. Os que se atêm ao lado mais racional dos fatos, afirmam que o futuro não existe, uma vez que ele é construído, sempre, a partir de cada segundo do presente. Mas façamos como Einstein: melhor não pensar no futuro porque ele não tarda a chegar. Bom, mas a que se devem tais considerações? Devem-se, caro leitor, a um simples olhar para trás. Há pouco mais de três décadas, eu estava no número 250 da Rua da Manga, ali no Portinho, revisando textos para o Debate. De lá para cá, os caminhos foram os mais diversos, e a vida, às vezes, se encarrega a desmentir a arte. Em um poema, H.W. Longfellow, poeta norte-americano do século XIX, afirma que nunca passamos duas vezes pelo mesmo lugar. Talvez, mas, às vezes, nossos passos nos conduzem de volta a um mesmo momento no passado. E eis-me aqui, de novo no Debate, desta vez conversando com os leitores.

Talvez haja quem pergunte a que se deve o retorno. E a resposta é simples: ao amor pelas letras, à paixão pelo escrever e ao vício (permitam-me assim me expressar) do jornalismo. O fascínio exercido pelo mundo dos textos leva-me a uma luta que não considero inglória: divulgar os livros, a leitura. Essa, aliás, tem sido uma bandeira que desde muito carrego. Nas salas de aula, dedico, sempre, um bom tempo mostrando à turma a relevância da leitura como fonte de conhecimento. Paralelamente, há o cuidado, que considero fundamental, para com a língua portuguesa. Escrever é uma forma, também, de mostrar aos leitores a importância de se preservar o idioma pátrio. E, aqui, faço minhas as palavras de um maranhense ilustre, Lago Burnett, para quem o brasileiro não gosta de seu idioma (veja-se A Língua envergonhada). Mas vamos tentar gostar da última flor do Lácio, e o caminho mais indicado é a leitura. Livros, jornais, revistas, não interessa o quê. Importa dedicar alguns minutos do dia ao salutar exercício de ler, tal como você está fazendo agora, caro leitor. Leia o noticiário, leia as colunas, leia sempre e bastante. Nós nos encontraremos aqui aos domingos, amigo leitor, e se você quiser acompanhar-me ao mundo das letras, ficarei satisfeito por servir-lhe de guia.

 

Geraldo Campos é professor, com passagem pela UnB e pela Universidade Católica de Brasília, jornalista e, nas horas vagas, contista (com alguns prêmios). Começou no jornalismo como revisor do Jornal do Brasil e, posteriormente, da revista Manchete. Passou por outros veículos de comunicação entre os quais as Tvs Aratins e Araguaína, no Tocantins, nas quais foi diretor de jornalismo. Tem, no currículo, trabalhos para a editora da UnB, o Banco Interamericano de Desenvolvimento e a Secretaria de Reforma do Judiciário, entre outros.

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