Crescente nos casos de tuberculose nos últimos anos no Maranhão chama atenção de especialistas

Na Semana Nacional de Mobilização e Luta Contra a Tuberculose (de 24 a 31/03), chama atenção de especialistas médicos o aumento exponencial de casos relacionados à doença, que muitas vezes representa uma ameaça silenciosa. O último Boletim Epidemiológico de Tuberculose, referente a 2024, aponta para cerca de 3 mil registros da doença no Maranhão. Naquele ano, a Secretaria de Estado da Saúde divulgou que foram 200 óbitos confirmados. A tuberculose é a principal causa de mortes por um agente infeccioso único no mundo, à frente de Covid e AIDS, e a décima enfermidade que mais causa vítimas no Brasil.

A incidência de tuberculose no Maranhão mostrou curva crescente nos últimos cinco anos (2020-2024) analisados no boletim epidemiológico, do Ministério da Saúde. A taxa de novas infecções em 2020 era de 30 casos por 100 mil habitantes e passou para 40,3 casos no mesmo grupo em 2024. A doença prevaleceu entre os homens (mais de 66%), principalmente com idade a partir dos 15 anos.

A situação epidemiológica no estado acompanha a do país. Ainda de acordo com o último Boletim Epidemiológico de Tuberculose divulgado, o Brasil registrou mais de 85 mil infecções. Em 15 anos, o número de mortes saltou 32,6%, passando de 4,6 mil óbitos em 2010 para uma estimativa de 6,1 mil em 2025. O cenário deixa o país cada vez mais distante das metas de erradicação da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a doença.

Dados do Relatório Global da Tuberculose 2024, divulgado pela Organização Mundial da Saúde, mostram que 7,5 milhões de pessoas foram diagnosticadas com a doença em todo o planeta, o maior número registrado desde o início do monitoramento mundial, em 1995, enquanto cerca de 10,6 milhões adoeceram no período. A tuberculose também foi responsável por 1,3 milhão de mortes ao redor do mundo em 2024.

E um estudo recente publicado na plataforma ScienceDirect acende um alerta para a dificuldade de diagnóstico precoce da tuberculose. A pesquisa indica que uma parcela relevante dos casos pode evoluir de forma silenciosa, sem manifestações clínicas evidentes, o que compromete a detecção oportuna e contribui para a manutenção da cadeia de transmissão.

A pesquisa acompanhou 979 contatos domiciliares de pessoas com tuberculose entre abril de 2021 e setembro de 2022, incluindo homens, mulheres e indivíduos com histórico prévio da doença. Nesse grupo, a tuberculose foi identificada em apenas 5,2% dos participantes com sintomas visíveis, sendo que 82,4% dos casos eram assintomáticos no momento do diagnóstico, ou seja, não apresentavam sinais clínicos claros.

Segundo a Dra. Maria Cecília Maiorano, coordenadora da pós-graduação em Pneumologia da Afya Educação Médica São Luís, é fundamental que os pacientes estejam atentos mesmo na ausência de sintomas clássicos e adotem uma postura ativa em relação à própria saúde. “A tuberculose não se manifesta da mesma forma em todos os pacientes. Não podemos depender exclusivamente de sinais clássicos, como tosse persistente, e sim alcançar pessoas que foram expostas a casos confirmados, especialmente em grupos de maior risco. É crucial que procurem avaliação médica, mesmo que se sintam bem”, comenta.

Entre os principais sintomas da doença infecciosa estão a tosse persistente por três semanas ou mais, febre, sudorese noturna, cansaço excessivo e perda de peso. A doença afeta principalmente os pulmões, mas em quadros mais graves, pode manifestar a chamada “forma extrapulmonar” da doença, afetando os gânglios linfáticos, ossos e articulações, rins, sistema nervoso central e pleura.

O tratamento é gratuito e disponibilizado pelo sistema público de saúde, sendo realizado com uma combinação de antibióticos por, no mínimo, seis meses. A adesão correta ao esquema terapêutico é fundamental para garantir a cura, evitar recaídas e impedir o desenvolvimento de formas resistentes da doença.

A Dra. Maria Cecília também enfatiza o papel da informação e do acompanhamento adequado. “A identificação da doença em estágios iniciais permite iniciar o tratamento mais rapidamente, reduzindo o risco de complicações e da transmissão. O mais importante é que o paciente mantenha o tratamento de forma contínua e correta, seguindo rigorosamente a orientação médica”, destaca, reforçando que a adesão ao tratamento é decisiva tanto para a recuperação individual quanto para o controle da doença na população.

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