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Flávia Bitencourt

​Entre a masculinidade frágil e a intenção oculta: o babado corporativo que parou a internet

​O assunto que dominou os debates nas redes sociais nos últimos dias parece roteiro de filme, mas é vida real. O caso do homem que ganhou um kit de maquiagem de alto luxo em um evento da empresa e preferiu entregar o prêmio para uma colega de trabalho, em vez de levar para a própria esposa, acendeu um alerta gigante sobre consideração, respeito e maturidade nas relações.

​Olhando para a situação, duas hipóteses se sobressaem de forma muito clara. A primeira aponta diretamente para a possibilidade de um interesse ou até de um envolvimento com essa colega. Afinal, entregar um presente caríssimo no ambiente de trabalho está longe de ser uma mera gentileza corporativa. É um gesto pensado para agradar, impressionar e criar intimidade. Quando um homem prefere ter esse tipo de atenção com uma colega e ignora a mulher com quem compartilha a vida, a intenção ultrapassa a cortesia profissional e escancara a falta de respeito.

​A segunda leitura expõe uma masculinidade frágil e um machismo estrutural. A ideia de que carregar um produto de beleza fere a imagem masculina a ponto de exigir um descarte imediato mostra um ego profundamente inseguro. Ao usar a desculpa de que não pegava bem ficar com o kit, ele só tentou esconder a própria vaidade ferida. Para piorar a situação, chamar a reação da esposa de drama ou loucura é a tática mais clichê de manipulação para inverter o jogo, fugir da responsabilidade e descredibilizar quem foi magoada.

​No fim das contas, a indignação coletiva não é pelo valor da maquiagem, mas pela completa falta de consideração. Em qualquer relacionamento, a maturidade se mede na capacidade de priorizar e respeitar quem está ao nosso lado todos os dias, e não em tentar performar simpatia ou conquistar validação fora de casa.

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