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Flávia Bitencourt

São Luís abre a turnê Nordeste de O Céu da Língua, fenômeno de Gregorio Duvivier

Crédito: Annelize Tozetto

Após conquistar mais de 300 mil espectadores e acumular importantes prêmios e indicações no teatro brasileiro, o espetáculo O Céu da Língua inicia sua turnê pelo Nordeste com três apresentações em São Luís, de 16 a 18 de julho, no Teatro Arthur Azevedo. A capital maranhense será a primeira parada da circulação que passará por todos os estados da região entre julho e agosto. Na cidade, a realização local é da Tablado Produções e realização da Padrok.

O espetáculo reúne importantes reconhecimentos: Gregorio Duvivier conquistou o Prêmio Bibi Ferreira 2025 na categoria Melhor Ator em Peça de Teatro, tendo sido indicado nas categorias de Melhor Peça de Teatro, Melhor Direção de Peça de Teatro e Desenho de Luz em Peça de Teatro. No Prêmio do Humor RJ 2026 foi vencedor nas categorias Texto e Espetáculo, além de ter sido indicado nas categorias de Direção e Performance. O espetáculo ainda recebeu indicação ao 36º Prêmio Shell de Teatro na categoria Iluminação e está concorrendo ao 20º Prêmio APTR de Teatro, nas categorias Dramaturgia, Ator, Espetáculo, Produção de Teatro e Iluminação.

Quem tem medo de poesia? Gregorio Duvivier não faz parte deste grupo e, como um apaixonado, faz de tudo para persuadir os outros das qualidades do seu objeto de encanto – até mesmo criar um espetáculo sobre o assunto. No monólogo cômico “O Céu da Língua”, o artista usa o seu discurso sedutor para convencer o público de que tropeçamos diariamente na poesia e o assunto é prazeroso e divertido.

“A poesia é uma fonte de humor involuntário, motivo de chacota”, reconhece o ator, que cursou a faculdade de Letras na PUC do Rio de Janeiro e publicou três livros sobre o gênero literário. “Escrevi uma peça que pode ajudar alguém a enxergar melhor o que os poetas querem dizer e, para isso, a gente precisa trocar os óculos de leitura”.

A direção é da atriz Luciana Paes, que também divide a dramaturgia do espetáculo com Gregorio. No palco, com cenografia de Dina Salem Levy, figurino de Elisa Faulhaber e Brunella Provvidente e luz de Ana Luzia de Simoni, o instrumentista Pedro Aune cria ambientação musical com o seu contrabaixo, e a designer Theodora Duvivier manipula as projeções exibidas ao fundo da cena. O resto é só o comediante e sua lábia desafiadora:

“Acredito que o Gregorio tem ideias para jogar no mundo e, com essa crença, a coisa me move independentemente de qualquer rótulo”, diz Luciana, uma das fundadoras da celebrada Cia. Hiato, que estreia na função de diretora teatral.

“O Céu da Língua” não é um recital e tampouco o artista declamará Castro Alves, Fernando Pessoa ou Carlos Drummond de Andrade. Por outro lado, garante Luciana, a dramaturgia não deixa de ser poética neste “stand-up comedy pegadinha”, como ela bem define.

“O Gregorio simpático e engraçado está no palco ao lado do Gregorio intelectual com seu fluxo de pensamento ininterrupto e imagino que, por isso, a plateia deve embarcar na proposta”, aposta a diretora. “Ele, graças aos seus recursos de ator, pega o público distraído e ninguém resiste quando é surpreendido por alguém apaixonado.”

Toda linguagem é um acordo e, se você entende, tudo bem. Gregorio, desde a infância, carrega uma obsessão pela palavra, pela comunicação verbal, pela língua portuguesa. Assim o protagonista, por exemplo, brinca com códigos, como aqueles que, em sua maioria, só são decifrados por pais e filhos ou casais enamorados.

As reformas ortográficas que tiram letras de circulação e derrubam acentos capazes de alterar o sentido das palavras inspiram o artista em tiradas bem-humoradas. O mesmo acontece quando ele comenta a ressurreição de palavras esquecidas, como “irado”, “sinistro” e “brutal”, que voltaram ressignificadas ao vocabulário dos jovens. E aquelas que só de ouvi-las geram sensações estranhas, a exemplo de afta, íngua, seborreia, ou outras, inventadas, repetidas à exaustão, como “atravessamento”, “namorido” ou “almojanta”? Até destas Gregorio extrai humor.

Para o artista, a língua é algo que nos une, nos move, mas raramente damos atenção a ela. É só pensar nas metáforas usadas no cotidiano – “batata da perna”, “céu da boca”, “pisando em ovos”. Nesta hora, usamos a poesia e nem percebemos.

Nesta cumplicidade com a plateia, Gregorio mostra gradativamente que a poesia não tem nada de hermética e, claro, homenageia Portugal, o país que emprestou ao Brasil a sua língua para que todos se comunicassem. Além de Fernando Pessoa, o ator evoca o poeta Eugênio de Andrade e lembra de que a origem de “O Céu da Língua” está relacionada ao espetáculo “Um Português e Um Brasileiro Entram no Bar”. O divertido intercâmbio linguístico colocou no mesmo palco Gregorio e o humorista luso Ricardo Araújo Pereira em improvisações sobre o idioma que os une.

Na turnê pelo Nordeste, o público também poderá adquirir itens exclusivos da lojinha oficial do espetáculo diretamente no link de vendas dos ingressos pela sympla ou diretamente no teatro antes e depois de cada sessão. Entre os produtos disponíveis estão o livreto O Céu da Língua, o livro Aos Pés da Letra (Editora Companhia das Letras), ecobag, camisetas nas cores off white e preta, em diferentes tamanhos, versões do Caderno Azul (com e sem pauta) com acabamento em verniz ou dourado acompanhados de lápis.

De 16 de julho a 8 de agosto o espetáculo O Céu da Língua embarca em uma turnê pelo Nordeste, passando pelas cidades de São Luís (MA), Teresina (PI), Fortaleza (CE), Natal (RN), Recife (PE), João Pessoa (PB), Campina Grande (PB), Maceió (AL), Aracaju (SE) e Salvador (BA).

 

Serviço


São Luís (MA)

Teatro Arthur Azevedo

Endereço: Rua do Sol, s/n – Centro

Quando: 16 a 18 de julho, quinta e sexta, às 19h e sábado, às 19h

Duração: 85 minutos
Classificação: 12 anos

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