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Suspeito de assassinato é linchado e morto no Maranhão

O suspeito de cometer um assassinato identificado como Wallison Silva Araújo, de 19 anos, foi linchado até a morte...

O suspeito de cometer um assassinato identificado como Wallison Silva Araújo, de 19 anos, foi linchado até a morte por moradores do município de Araioses, a 408 km de São Luís. Segundo a Polícia Civil, no domingo (24) ele matou a golpes de faca um jovem identificado como Madson Araújo da Cruz, que não tinha passagens pela polícia.

Segundo a polícia, Wallison Silva Araújo tem no histórico vários assassinatos cometidos na cidade de Araioses. (Foto: Divulgação/Polícia Civil )

Segundo a polícia, Wallison Silva Araújo tem no histórico vários assassinatos cometidos na cidade de Araioses. (Foto: Divulgação/Polícia Civil )

O caso aconteceu na manhã desta terça-feira (26). Segundo a Polícia Civil, a população descobriu que Wallison estava em uma residência da cidade e cercou a casa. A Polícia Militar foi acionada e chegou com dois policiais para atender a ocorrência.

De acordo com o delegado da cidade de Araioses, Raphael Reis, quando os policiais chegaram Wallison estava em cima de um muro para evitar a população. Eles conseguiram convencê-lo a descer e se entregar, mas no momento que iriam prendê-lo a população o agarrou e o atirou para fora da casa. Ele afirma que nada pode ser feito.

“Os policiais estavam lá e tentaram prender, mas a população partiu para cima dele. Dois policiais contra 80…100 populares poderiam fazer o que?”, questionou o delegado.

G1 entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública do Maranhão questionando a falta de efetivo policial e da logística para casos de emergência em Araioses, mas não houve retorno.

Um vídeo mostra o momento em que Wallison desce do muro da casa e os policiais tentam acalmar e conter a população. Um homem surge com um facão e Wallison tenta se esconder entre os militares.

Momento em que Wallison se entrega a dois policiais militares

Em outro vídeo é possível ver rapidamente o momento em que ele é cercado pela população fora da residência. No local ele é chutado e esfaqueado por várias pessoas diante da viatura da PM e dos policiais. O delegado da cidade culpa a falta de efetivo policial pela falta de ação no caso, que não tinha sido o primeiro na cidade.

“Existem várias ocorrências aqui na cidade. É quase uma tradição esse tipo de justiçamento por aqui. Só comigo aqui já aconteceram três vezes e eu, pessoalmente, já tive que ficar na porta da delegacia, literalmente, para tentar evitar. Já tive que pedir reforço para colegas do Piauí porque não temos efetivo policial”, declarou.

“São dois policiais militares e só eu, um investigador e um escrivão aqui por dia para mais de 50 mil habitantes. Então o risco é comum. (…). A polícia estava no local, mas não conseguiu conter a população sob pena de atirar em um cidadão. Cidadão entre aspas porque quem faz isso é criminoso da mesma forma”, afirmou o delegado.

Vídeo mostra população ao redor de Wallison.

O batalhão de Polícia Militar mais próximo de Araioses fica em Chapadinha, a 260 quilômetros da cidade. São três horas de viagem até que algum reforço consiga chegar. No caso da Polícia Civil a regional com maior efetivo fica na cidade de Barreirinhas, a duas horas e meia da cidade.

O delegado disse que vai tentar identificar as pessoas que lincharam Wallison e a posterior prisão deles, mas no momento até o flagrante não pode ser feito. “A gente podia, inclusive, prender essas pessoas em flagrante. Mas não temos efetivo. Se nós aqui fôssemos prender alguém desses populares.. imagina o que iria acontecer?”, declarou.

Além da morte registrada no último domingo, a polícia afirma que Wallison tem no histórico o latrocínio de uma idosa de 89 anos na cidade, quando ele tinha 16 anos e retornava de uma internação em um centro de juventude de São Luís apenas seis meses após ter saído.

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