CINEMA

‘Missão: Impossível – Efeito fallout’ explora qualidades da franquia e é o melhor filme desde o primeiro

Desde 1996, Tom Cruise escolhe aceitar missões cada vez mais impossíveis. “Missão: Impossível – Efeito fallout”, que estreia nesta...

Desde 1996, Tom Cruise escolhe aceitar missões cada vez mais impossíveis. “Missão: Impossível – Efeito fallout”, que estreia nesta quinta-feira (26) no Brasil, amplifica tudo o que vem dando certo desde que a série deixou o gênero de espionagem e vestiu de vez a máscara da ação. Com isso, se torna o melhor filme da franquia desde o primeiro. Assista ao trailer no vídeo acima.

“Efeito fallout” se beneficia por funcionar pela primeira vez como uma continuação direta de um antecessor, “Nação secreta” (2015). Sem precisar apresentar certos personagens ou conceitos, consegue se aprofundar em relacionamentos e na ação.

O espião interpretado por Cruise, Ethan Hunt, mais uma vez encara a organização maligna Sindicato – por algum motivos rebatizada de “Apóstolos” – para recuperar materiais usados na fabricação de bombas nucleares.

No entanto, um plano envolvendo o semi-infalível Solomon Lane (Sean Harris), capturado no filme anterior, e um novo e misterioso vilão prometem amarrar todas as pontas soltas deixadas pelo agente ao longo dos anos.

A trama atinge o melhor equilíbrio entre ação e espionagem da franquia. Para ser justo, não é como se fosse muito difícil, considerando que seus antecessores geralmente pecavam ao exagerar nas explosões e nos malabarismos e esquecer de suas origens – “Protocolo Fantasma” (2011) foi o que chegou mais perto, escorregando em seu vilão de James Bond.

É ação que você quer, @?

No primeiro “Missão: Impossível”, a equipe de Hunt pegava no pé do personagem de Jon Voight por causa da de sua velhice. Ironicamente, aos 56 anos Cruise agora tem apenas um a menos que o colega tinha na época – mas ainda dá no couro.

O astro deixa claro desde o começo que a idade não é problema com algumas das melhores sequências de ação dos últimos anos. Para isso ele conta principalmente com a adição do próprio Superman, Henry Cavill (cujo bigode glorioso em “Efeito fallout” mais do que compensa o buço esquisito do super-herói em “Liga da Justiça”).

Interpretando um agente da CIA com métodos mais brutais, o britânico larga o charme de seu agente secreto em “O agente da U.N.C.L.E.” (2015) para se tornar uma ferramenta de força bruta. Com ele, sequências como a do banheiro da balada francesa têm tudo para se tornarem clássicas dentro da franquia.

Calma, gente

Entre toda essa ação, o diretor Christopher McQuarrie, repetindo sua função de “Nação secreta”, encontra tempo para construir algumas boas reviravoltas e traições, características que se tornaram marca da franquia.

Infelizmente, o roteiro às vezes parece apressado como seu protagonista (Cruise tem uns 10 minutos de correria ininterrupta pelos telhados de Londres, uma das sequências mais inúteis do filme). As surpresas até conseguem ser inteligentes, mas a maior delas perde completamente a força ao ser apresentada cedo demais.

“Efeito fallout” se beneficiaria muito ao olhar com mais carinho para o filme dirigido por Brian De Palma em 1996. Não só para aprender a tratar com mais carinho as sutilezas da espionagem, mas também que a tensão não vem só de tiros e pancadaria.

A franquia ficou conhecida pelas estripulias – com o perdão da palavra – impossíveis de Cruise, além dos tiroteios, da porrada e das explosões. Mas, em momentos como a absurda e barulhenta batalha de helicópteros em “Efeito fallout”, é difícil não sentir saudades dos 10 minutos de silêncio quase absoluto na clássica invasão ao quartel general da CIA, 22 anos atrás.

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