FORA DO FOCO

Em crise, Neymar perde aura de mito e precisa se reinventar

Grandes competições esportivas servem para reafirmar talentos, apontar revelações e, às vezes, transformar um atleta em vilão. Neymar é a bola da vez, porém num sentido nada positivo. O principal nome da...

O Debate do Maranhão - 16/07/2018 12h37

Grandes competições esportivas servem para reafirmar talentos, apontar revelações e, às vezes, transformar um atleta em vilão. Neymar é a bola da vez, porém num sentido nada positivo. O principal nome da Seleção Brasileira virou alvo fácil na Copa da Rússia.

Comentaristas dos mais variados veículos (TVs, rádios, jornais, revistas e internet) perderam o pudor em criticá-lo. O camisa 10 foi duramente julgado pelas ações e omissões.

As atitudes em campo – especialmente as quedas vistas como encenações exageradas – geraram incontáveis memes engraçados, porém depreciativos. O planeta adorou debochar de Neymar. Até o presidente da FIFA caiu no riso.

Bastaram alguns jogos no maior campeonato do mundo para que ruísse a fantasia em torno do atacante. Passou a ser alguém sem blindagem. Todo mundo agora se sente no direito de condená-lo.

O próprio jogador minuciou os desafetos: ignorou a imprensa e o público após a desclassificação do Brasil. Calar-se foi um erro tolo, que piorou a crise de imagem iniciada com o desempenho instável nos gramados russos.

Um ídolo não pode fugir às obrigações de seu papel. Uma delas é transmitir uma mensagem aos fãs (e, de quebra, a seus antagonistas) nos momentos de desencanto.

Poucas palavras bastariam. Neymar preferiu o autoexílio longe de câmeras e microfones. Talvez ele ainda não saiba que o silêncio custa caro. Mensagens em rede sociais não criam o mesmo impacto que a sinceridade do olhar, da voz, da expressão facial.

A imprensa brasileira destaca a criação de um suposto ‘plano de emergência’ para reverter a imagem negativa que embalou a estrela do Paris Saint-Germain. A pressa se justifica pelo temor de perda de patrocínios.

Na quinta-feira (19), um leilão em prol do Instituto Projeto Neymar Jr. reunirá celebridades e imprensa no Hotel Unique, em São Paulo. A expectativa é arrecadar mais de 2,5 milhões de reais para a instituição que atende crianças carentes no litoral paulista.

A filantropia sempre produz retorno midiático. Mas, sozinha, não será capaz de reabilitar o status do astro do futebol. Bom desempenho em campo e discursos coerentes serão imprescindíveis para que as chacotas cessem e o respeito seja restabelecido.

Neymar se viu atropelado pelo excesso de marketing criado em torno dele. O jovem mito foi humanizado pelas próprias falhas.

Passada a tormenta, é hora de demonstrar ter aprendido a lição: menos celebridade, mais maturidade.

A fila anda e novos ídolos surgiram na Copa da Rússia. O ‘menino’ Neymar, de 26 anos, já tem sucessores a caminho – e a mídia, que jamais é fiel, adora destronar quem chegou ao topo.

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