CRÔNICA

Coluna Folhas Soltas – por Geraldo Campos

Crônica Nº 05 - Publicada em 13/05/2018 - na edição impressa do Jornal O Debate

NADA COMO UMA IGREJA VAZIA para nos encontrarmos com nós mesmos. Gosto de igrejas vazias. O silêncio é um convite à reflexão, e a reflexão nos leva ao interior de nós mesmos, a um exame de consciência no qual somos, ao mesmo tempo, réus e juízes. Com certeza, muitos já ouviram a expressão “falar com Deus”. E, dentre estes muitos, ampla parcela, deve ligar a expressão diretamente ao ritual do templo, qualquer que seja a denominação religiosa. Obviamente, essa é uma das maneiras de falar com Deus. O padre, o pastor, os textos sacros, os cânticos, o ritual em si nos aproximam do sagrado. Mas é o silêncio na igreja que nos coloca frente a frente com o Criador e nos permite, também, avaliar o mundo que nos cerca à luz dos ensinamentos sagrados. Por isso, ainda assusta, além de ser preocupante, a maneira como muitos veem (e vivem) os princípios religiosos. Claro que os conflitos têm, praticamente, a idade da civilização humana. A presença de deuses sempre foi uma constante nas sociedades antigas, e o culto à divindade estendeu-se no tempo, às vezes levando os homens a desavenças. E a crença religiosa, influenciando os costumes, pode levar a situações absurdas. Basta ver como as mulheres são tratadas em países do Oriente Médio e na Índia, por exemplo. (Embora na Turquia, na contramão da história, muitas mulheres queiram a volta obrigatória do véu.) E o que é pior: tudo é feito em nome de Deus, isto é, com base na interpretação distorcida das escrituras. Usar o Corão ou a Bíblia para justificar condutas antissociais e, mesmo, contrárias aos mais elementares princípios de humanidade, é uma maneira simplista de responsabilizar Deus pelas mazelas humanas. A solução está no encontro pessoal, e talvez, a maneira mais efetiva de falar-Lhe é quando você e Ele estão cara a cara, sozinhos, cercados pelo silêncio, quase distante, do mundo. É nesse momento que deixamos cair a máscara do dia a dia e nos perguntamos o que temos feito, quem somos, o que desejamos. E as respostas, vamos encontrar em nosso coração, em nossa mente. E, se formos sinceros neste encontro para conversar com Deus, é bem provável que saiamos com espírito renovado, prontos para enfrentar o mundo, com todas as suas mazelas (mas com sua beleza também), e colocarmos uma pedra, a nossa pedra, pequena que seja, na construção do caminho para um futuro melhor.

 

Geraldo Campos é professor, com passagem pela UnB e pela Universidade Católica de Brasília, jornalista e, nas horas vagas, contista (com alguns prêmios). Começou no jornalismo como revisor do Jornal do Brasil e, posteriormente, da revista Manchete. Passou por outros veículos de comunicação entre os quais as Tvs Aratins e Araguaína, no Tocantins, nas quais foi diretor de jornalismo. Tem, no currículo, trabalhos para a editora da UnB, o Banco Interamericano de Desenvolvimento e a Secretaria de Reforma do Judiciário, entre outros.

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