CRÔNICA

Coluna Folhas Soltas – por Geraldo Campos

Crônica Nº 04 - Publicada em 06/05/2018 - na edição impressa do Jornal O Debate

NO FINAL DO SÉCULO PASSADO os mais otimistas olhavam para o futuro cheios de esperança em novos e melhores tempos. Afinal, chegava a Era de Aquário, que traria a paz para um mundo tão conturbado. Ficava para trás um século marcado por dois grandes conflitos mundiais e centenas de outros menores, mas igualmente sangrentos e cruéis. Pois bem, já estamos no 18º ano dessa nova era e, até agora, a única coisa que mudou no mundo foi o calendário. O planeta azul continua conturbado como tem sido desde sempre. O que vemos hoje é que o homem continua sendo o lobo do homem e a fúria que muitos descarregam sobre seus semelhantes é algo que deixa perplexos aqueles que, um dia, acreditaram ser possível a paz na humanidade. Fatos bem recentes, como os atropelamentos em massa, como ocorreu em Toronto, considerada a quarta cidade mais segura do mundo, mantêm viva a pergunta: o que está acontecendo hoje? Onde nos levará tanta violência? As ações de grupos extremistas como o Boko Haram, o Estado Islâmico (segundo consta, quase eliminado) a Al Qaeda e outros fazem com que perguntemos se ou quando tudo isso vai ter fim. E o pior de tudo é que uma parcela enorme das vítimas é de inocentes que só querem viver em paz. Chocaram o mundo as repetidas tragédias no Mediterrâneo; chocam o mundo os milhares de mortos em guerras civis intermináveis, como na Síria, e, em nossa própria casa, temos a onda de venezuelanos que chegam em busca de melhores dias. São milhares de pessoas que morreram ou se degradam por um sonho que, sem dúvida, é direito do ser humano em qualquer tempo ou lugar: cuidar da própria vida sem medos e sobressaltos. Isso sem nos esquecermos dos mais de 3 mil homicídios em um único mês em nosso país. É certo que o homo sapiens sempre esteve, de uma forma ou de outra, envolvido em conflitos, mais ou menos sangrentos, com seu semelhante. Mas eram bárbaros, não civilizados. Mas, e hoje? Avançamos na ciência, na tecnologia, no conhecimento, de modo geral; contudo, não evoluímos, não crescemos, em termos de humanidade, de respeito e aceitação do próximo. Além da fome e das epidemias que ainda matam milhares pelo mundo, há, ainda, o fantasma das armas e das bombas ameaçando vidas inocentes. Infelizmente, a Era de Aquário nada mais é que um nome para um sonho distante.

 

Geraldo Campos é professor, com passagem pela UnB e pela Universidade Católica de Brasília, jornalista e, nas horas vagas, contista (com alguns prêmios). Começou no jornalismo como revisor do Jornal do Brasil e, posteriormente, da revista Manchete. Passou por outros veículos de comunicação entre os quais as Tvs Aratins e Araguaína, no Tocantins, nas quais foi diretor de jornalismo. Tem, no currículo, trabalhos para a editora da UnB, o Banco Interamericano de Desenvolvimento e a Secretaria de Reforma do Judiciário, entre outros.

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