CRÔNICA

Coluna Folhas Soltas – por Geraldo Campos

Crônica Nº 02 - Publicada em 22/04/2018 - na edição impressa do Jornal O Debate

CARO LEITOR, CASO VOCÊ acorde na próxima quarta-feira e nada de estranho veja a seu redor, preocupe-se. É sinal de que você não está entre os eleitos. Como sei? É que um teórico da conspiração, o norte-americano David Meade (cujo verdadeiro nome é desconhecido), garante que o mundo vai acabar amanhã, 23 de abril. A notícia foi publicada pelo portal britânico Express (www.express.co.uk) no sábado passado (14/4) talvez para dar tempo aos que quiserem procurar um lugar seguro para curtir o apocalipse. Mas como será o fim do mundo? Segundo Mr. Meade, que se intitula “numerologista cristão” (seja lá o que isso significa) haverá, dia 23, um alinhamento do Sol, da Lua e do planeta Júpiter no signo de Virgem, o que, para ele, confirma sua teoria segundo a qual o planeta X, ou Nibiru (que a Nasa afirmou ser obra de ficção) vai chocar-se com a Terra e dar início ao fim do planeta e, por consequência, da espécie humana. Para justificar sua “profecia”, cita o Apocalipse de João, 12:1-2. Como você, caro leitor, saberá se escapou? Porque no dia 23 haverá o arrebatamento dos escolhidos e vai se seguir um período de tormentas, com guerras e o domínio do anticristo. Esse cidadão, que, na falta de coisas mais sérias para fazer, é especialista em teorias do fim do mundo, tem, em seu currículo duas profecias que falharam. Ele previu o fim do mundo em 23 de setembro e, depois, em outubro de 2017 e, obviamente, errou. Mas Mr. Meade não é o primeiro a profetizar o fim do mundo. O primeiro talvez tenha sido Montanus, que pregava na Frígia (região central da atual Turquia) em 156 d.C. De lá para cá, não faltaram profetas do fim dos tempos. Em 1524, o astrólogo e matemático alemão Johannes Stöffler afirmou que um alinhamento planetário provocaria uma inundação de tal magnitude que seria o fim do mundo. Mas tarde, o escritor Hal Lindsay previu o fim do mundo para 1988, sem esquecer Nostradamus, para quem o fim chegaria em agosto de 1999. E a data mais precisa: 21 de dezembro de 2012, fim de um ciclo no calendário maia e que causou um enorme frenesi apocalíptico. Mas, apesar de cuidarmos muito mal do nosso planeta, ele ainda resiste, firme e forte, como tem sido, segundo a ciência, pelos últimos 4,56 bilhões de anos, e esperemos que por, pelo menos, outros tantos.

 

Geraldo Campos é professor, com passagem pela UnB e pela Universidade Católica de Brasília, jornalista e, nas horas vagas, contista (com alguns prêmios). Começou no jornalismo como revisor do Jornal do Brasil e, posteriormente, da revista Manchete. Passou por outros veículos de comunicação entre os quais as Tvs Aratins e Araguaína, no Tocantins, nas quais foi diretor de jornalismo. Tem, no currículo, trabalhos para a editora da UnB, o Banco Interamericano de Desenvolvimento e a Secretaria de Reforma do Judiciário, entre outros.

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