CRÔNICA

Coluna Folhas Soltas – por Geraldo Campos

Crônica Nº 17 - Publicada em 12/08/2018 - na edição impressa do Jornal O Debate

NÃO É PRECISO SER observador atento para perceber a intensidade da crise que põe o Brasil no fundo do poço. Uma crise que se desdobra em política, econômica, ética e moral e não parece ter fim. A realidade mostra um governo que já acabou, o que pode ser atestado por sua invisibilidade (por onde anda o presidente?), um congresso cujos membros estão interessados apenas nas eleições vindouras e um conjunto das chamadas autoridades competentes que não conseguem (ou não se interessam) resolver os problemas de suas respectivas áreas de atuação e de responsabilidade. O exemplo mais gritante do salve-se quem puder da vida nacional é o aumento que os ministros do STF (exceto quatro deles) votaram para si mesmos. Sob a justificativa de repor perdas da inflação que totalizaram pouco mais de 9%, eles premiaram-se com pouco mais de 16%, mesmo ante a crise que o país enfrenta. Não se lembraram que, somados os penduricalhos, o contracheque de cada um deles passa pouco dos R$ 47 mil. Esse aumento resulta no já conhecido efeito cascata que, evidentemente, vai levar ao aumento salarial de outros setores do Judiciário e, provavelmente, vai se espalhar por outras áreas. Rombo nas contas? Isso é problema para o próximo presidente. Treze milhões de desempregados? Cada um que cuide de si. Enquanto isso, a educação e a saúde continuam mendigando recursos: escolas sucateadas, professores desvalorizados, pessoas morrendo em corredores de hospitais nos quais falta o mínimo necessário para atendimento dos pacientes. E, como se não bastasse tanto descalabro, o mapa da violência mostra mais de 63 mil assassinatos em 2017 – cerca de 175 por dia ou sete por hora. Para efeito de comparação, o Observatório Sírio de Direitos Humanos registra 43 mil mortos entre janeiro de 2017 e maio de 2018. E a Síria vive há 11 anos sob guerra civil. Alguém duvida que vivemos mergulhados no caos que resulta do vazio do poder? Permita-me, caro leitor, um velhíssimo chavão: o voto é a arma do eleitor. E, realmente, é. Mas parece que este personagem não está usando essa arma como devia. Se assim não fosse, não teríamos uma quadrilha tão grande instalada no Congresso. Há esperança? Claro, ela é, tradicionalmente, a penúltima que morre (o último é o desesperançado que acreditou que as coisas iam melhorar). Outubro de 2018 está se aproximando. Teremos mais do mesmo ou poderemos crer na luz no fim do túnel?

 

Geraldo Campos é professor, com passagem pela UnB e pela Universidade Católica de Brasília, jornalista e, nas horas vagas, contista (com alguns prêmios). Começou no jornalismo como revisor do Jornal do Brasil e, posteriormente, da revista Manchete. Passou por outros veículos de comunicação entre os quais as Tvs Aratins e Araguaína, no Tocantins, nas quais foi diretor de jornalismo. Tem, no currículo, trabalhos para a editora da UnB, o Banco Interamericano de Desenvolvimento e a Secretaria de Reforma do Judiciário, entre outros.

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